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Notícias Fonte ganha 'aquário' para não ser mais usada como banheiro

15/03/13 - Fonte ganha 'aquário' para não ser mais usada como banheiro

Cantada por Adoniran Barbosa, símbolo de uma São Paulo em transformação nos anos 1920 e protagonista de episódios históricos, uma das mais significativas obras à céu aberto da capital só poderá ser observada através de uma redoma de vidro.

Inaugurada em 1927, a Fonte Monumental, na praça Julio Mesquita, no centro, em reforma desde o ano passado, ficará cercada por placas de vidro, que começaram a ser instaladas ontem e formarão uma espécie de aquário.

O objetivo é protegê-la de vândalos e, principalmente, evitar que a fonte continue sendo usada como um banheiro público.

Além disso, o material em bronze do chafariz, lagostas e mascarões, foi substituído por réplicas em resina.

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO.

A reforma custou cerca de R$ 500 mil ao DPH (Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura).

“É polêmico e confronta a teoria da restauração, pois cria um ‘falso histórico’ que engana o observador com uma réplica”, diz Fábio Donadio, chefe da Seção Técnica de Monumentos e Obras Artísticas do DPH.

“Mas, no local onde está o monumento, em plena cracolândia, colocar uma lagosta de bronze é pedir para haver vandalismo.”

Segundo o DPH, se a ideia de pôr o chafariz no “aquário” for bem aceita, ela poderá ser aplicada em outros monumentos em risco.

“Os vidros vão ser colocados para que a fonte não se torne uma piscina, um banheiro público ou um tanque de lavar roupa, como já vimos acontecer”, diz Donadio.

Mesmo aplicando diversos produtos químicos para limpar a superfície em mármore de Carrara, foi impossível remover manchas amareladas ou amarronzadas criadas pelo acúmulo de xixi.

“As pessoas que estão morando nas ruas não fazem xixi nas árvores, eles querem fazer nos monumentos. As marcas de ureia não saem.”

Ainda segundo Donadio, o mármore é um material considerado relativamente fácil para o artista trabalhar. Mas é também sensível ao tempo, ao vandalismo e à poluição.

“É preciso aplicar uma cera especial a cada seis meses em obras como a fonte, que nunca recebeu o tratamento. O resultado é que há diversas partes estragadas. Para não comprometer ainda mais, resolvemos não mexer.”

Editoria de arte/Folhapress

Especialistas em patrimônio histórico lamentam a medida de pôr a fonte dentro de uma redoma de vidro. Parte deles, porém, concorda que é uma saída para protegê-la.

“Há uma questão real posta que é o vandalismo. É uma situação muito difícil, lamentável, mas, em caráter experimental, acho que pode ser positivo”, afirma Lucila Lacreta, urbanista do Movimento Defenda São Paulo.

Para ela, é preciso promover uma “cultura de valorização” para que a comunidade passe a cuidar das obras.

Para Lucio Gomes Machado, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a decisão é “triste e polêmica”, mas necessária.

“No mundo, a substituição de peças valiosas expostas por réplicas se tornou prática comum. As técnicas de reprodução estão muito desenvolvidas. É importante, porém, avisar os visitantes disso.”

Para ele, o “aquário” será melhor do que o gradil que já houve em volta da fonte, na década de 1980.

Também conhecida como “fonte das lagostas”, a obra sucumbiu ao processo de degradação da região nos anos 1960. Os elementos de bronze foram furtados e destruídos, o que inspirou Adoniran Barbosa e Tasso Rangel a comporem “Roubaram a lagosta”.