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Notícias Alta do aluguel ameaça lojas históricas na rua da Carioca, no Rio

01/04/13 - Alta do aluguel ameaça lojas históricas na rua da Carioca, no Rio

Comerciantes da tradicional rua da Carioca –quarteirão histórico e tombado no centro do Rio– têm trabalhado sem a garantia de que poderão manter o negócio no local nos próximos meses por causa do aumento do preço dos aluguéis.

A notícia preocupa moradores da cidade, que viram seus pais e avós frequentarem restaurantes e lojas que já viraram patrimônio do Rio.

Entre eles está lá o Bar Luiz, há 86 anos na rua. O casarão do final do século 19 recebeu ao longo da sua história intelectuais, boêmios e políticos, de Ary Barroso a Millôr Fernandes. Ainda hoje é ponto de encontro dos cariocas e obrigatório para turistas.

A rua abriga várias lojas de acessórios e instrumentos musicais como a Guitarra de Prata, fundada em 1887. Pelo local, já passaram Pixinguinha e Noel Rosa. Uma delas, no número 43, fechou as portas recentemente. Outros estabelecimentos centenários também estão ameaçados.

O motivo: o aluguel de alguns casarões, no lado ímpar, subiu fortemente neste ano. Os contratos estão sendo revisados com data retroativa a 1º de janeiro.

O grupo Opportunity comprou cerca de 40 imóveis da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência –18 deles são casarões localizados no lado ímpar da rua, nos limites do morro de Santo Antônio. Após o negócio, a maior parte dos contratos de locação perdeu a eficácia.

“Ficaram de fora apenas os que tinham no contrato e no registro do imóvel a garantia de que o aluguel seria mantido. A maioria não tinha”, diz Roberto Cury, presidente da Sarca (Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências).

Muitos dizem não ter condições financeiras de manter o negócio após o aumento. O novo locatário alega que a renovação dos contratos é feita “a preço justo” (leia mais na página C5).
Em um dos casos, o valor cobrado mensalmente passará de R$ 10 mil para R$ 68 mil. Mas o grupo alega que o imóvel tem uma área de 958 m². “Se tivermos que pagar esse valor, será inviável ficarmos aqui”, diz Felipe Rio, sócio do restaurante Cataroca, que teve o aumento.

Os comerciantes acreditam que o reajuste é uma forma de expulsá-los do local para ser feito um shopping, o que é negado pelo Opportunty.

Os comerciantes dizem que têm sido pressionados para fechar o acordo. Eles têm até o final deste mês para assinar os novos contratos de aluguel, segundo a Sarca. Caso não assinem, terão 90 dias para entregar os imóveis.

Ed. de arte/Folhapress

HISTÓRICOS

O gerente de operação do Bar Luiz, Manlio Vettorazzo, diz que o movimento aumentou com a polêmica. “Clientes que não vinham aqui há anos dizem que voltaram para se despedir.”

Ele não acredita que o bar será fechado e conta que o novo dono do imóvel contratou uma empresa de restauração para descobrir qual a cor original da parede. “Acho mais provável que seja feita uma restauração aqui. O Bar Luiz é um patrimônio da cidade”.

Apesar de carregados de história –como a Casa Vesúvio que, desde 1946, vende guarda-chuvas e o Cine Íris, num casarão do início século 20, que apresentava teatro de revista e hoje tem shows de strip-tease– muitos casarões estão mal conservados.

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO.