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Notícias Mostra de Glauco e livro de Angeli condensam arte da charge política

02/05/13 - Mostra de Glauco e livro de Angeli condensam arte da charge política

Uma exposição das charges do cartunista Glauco Vilas Boas, assassinado há três anos, e um novo livro de charges de Angeli destacam agora a tarefa de retratar com humor os aspectos às vezes surreais e ridículos da política.

“Tento fazer a caricatura mais cruel da pol√≠tica”, diz Angeli

Na mostra que será aberta neste sábado na Caixa Cultural estão esboços e charges de Glauco publicadas na Folha desde a redemocratização do país, passando pelos governos Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula até o ano de 2010.

Haver√° ainda objetos pessoais de Glauco, como cadernos com letras que ele fez para cerim√īnias do Santo Daime e trof√©us ganhos em sal√Ķes de humor, entre outros.

“Ele n√£o tinha prefer√™ncia por nenhum presidente, mas dizia que o chargista tinha de ser do contra”, lembra Bia Galv√£o, vi√ļva de Glauco. “Era de uma simplicidade genial. Ele era cr√≠tico, mas queria sempre que dessem risada.”

Alvo constante de sua obra, os presidentes do país surgem às vezes frágeis, mas muito humanos, nas charges do cartunista, como o desenho em que ele associa rugas de FHC a crises no governo.

“Ele era conhecido e reconhecido de cabo a rabo por Bras√≠lia”, diz Nelma Santos, amiga de Glauco que organiza a mostra com Bia Galv√£o.

Nelma tamb√©m aponta a evolu√ß√£o do tra√ßo do artista, que fica evidente na mostra. Com o passar do tempo, Glauco quase abre m√£o do texto e sintetiza as situa√ß√Ķes.

“Eram s√≥ duas palavrinhas, mas muito eficientes”, observa Angeli. “As charges dele eram simples e fant√°sticas, fizeram uma leitura muito pr√≥pria da √©poca.”

Angeli lembra a charge em que Glauco retratou o novo corte de cabelo de Fernando Collor, perguntando se o presidente havia mudado o cabelo ou se era seu nariz que havia crescido. “Era uma piada banal”, diz Angeli. “Mas que funcionou muito bem.”

“Ele sempre me chamava para ver enquanto estava desenhando”, conta a vi√ļva de Glauco. “Se eu achasse engra√ßado, ele sabia que tinha acertado, que todo mundo entenderia. √Č um humor sutil, mas que pega na veia. √Äs vezes, ele varava a noite desenhando, mas n√£o era nenhuma tortura. Ele fazia isso com muita leveza e do√ßura.”

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO