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Notícias Força de uma exposição não vem do número de visitantes, diz Nuno Ramos

07/09/15 - Força de uma exposição não vem do número de visitantes, diz Nuno Ramos

Em cartaz na Estação Pinacoteca com uma série de obras inéditas, o artista plástico, escritor e compositor Nuno Ramos afirma que não se deve “fetichizar” o número de visitantes de uma exposição. “A força que uma exposição tem não vem do número de pessoas que vão a ela”, diz.

Em entrevista ao UOL em seu ateliê, no bairro do Cambuci, em São Paulo, o artista falou sobre sua nova mostra, “HOUYHNHNMS”, com obras que produziu nos últimos nove meses, e ainda sobre a importância de uma exposição estar bem montada, a onda de “selfies” e a presença de suas composições no recém-lançado álbum da cantora Mariana Aydar.

Quem não conhece a carreira de Nuno Ramos pode estranhar que seu trabalho esteja presente em diferentes áreas. Nuno já atuou como pintor, escultor, diretor, roteirista, escritor, compositor e cenógrafo.

Filósofo por formação, Nuno começou a pintar em 1984 e já expôs no Brasil e no exterior. Participou da Bienal de Veneza em 1995 e das Bienais de São Paulo em 1985, 1989, 1994 e 2010.

Fora das artes plásticas, seu talento pode ser visto, por exemplo, na literatura – com livros como “Ó” (2008), “Junco” (2011), “Sermões” (2015) – e na música – em composições gravadas por Gal Costa, Rômulo Froes, Nina Becker, Mariana Aydar, entre outros.

Com curadoria de Lorenzo Mammi, a exposição “HOUYHNHNMS” apresenta mais de 20 obras em que o artista brinca com a utopia. “Eu acho que minha intuição era querer fazer uma coisa para cima, ao contrário daquele trabalho dos urubus, onde o país estava eufórico e eu achava aquele negócio meio falso. Agora eu sinto que o país está deprimido e também sinto isso como falso, não aguento mais esse negócio”.

Mauro Restife

Parte da obra “No País dos Houyhnhnms” (2015). Chapas de metal, tubos de metal, tecidos, plásticos e tinta óleo sobre madeira, 260 x 650 cm.

O nome estranho e impronunciável, “HOUYHNHNMS”, veio de uma das obras da mostra, “No País dos Houyhnhnms”, inspirada na última viagem de Gulliver, da obra de Jonathan Swift, em que o personagem viaja ao país dos cavalos e depois que volta não consegue mais viver entre os humanos. “Naqueles relevos que estão lá na exposição, para cada um eu usei meio que uma utopia e resolvi fazer esses títulos, tem a ‘Maracangalha’, ‘O Semeador’ de Van Gogh e o terceiro quadro se chama ‘No País dos Houyhnhnms’”, explica.

 

Em cartaz até 15 de novembro, a exposição apresenta ainda esculturas, como a “CavaloporPierrô” e a “Casaporarroz”, além de réplicas destas obras fundidas em bronze e alumínio e vídeos dirigidos por Nuno Ramos e Eduardo Climachauska.

Respeito ao visitante e “selfies”

Segundo o artista, o aumento de público nas exposições ainda “está longe de ser razoável”, no entanto, existem limites da instituição e que o público precisa ser respeitado. “Você não pode botar gente demais em uma sala, que ninguém vê nada”, diz.

“A gente precisa montar bem, iluminar bem, ter um número de pessoas razoável ali dentro, não pode ser demais. Enfim, precisa respeitar o cara que está lá olhando. Ele não está lendo uma etiqueta, ele está se confrontando com um objetivo estranho, ele precisa de condição para isso”, explica.

Em relação ao comportamento do público diante da obra, Nuno afirma que os visitantes não devem se deixar intimidar pela obra, mas sim “exercer a arte da indagação” e se posicionar mais. “Deve ter a generosidade de se colocar pelo sim ou pelo não diante daquilo, como uma escolha autônoma”.

“Os ‘selfies’ às vezes irritam, mas também é um uso do museu, não vou ficar moralizando isso, quem sou eu para dizer o que as pessoas devem fazer”.

Canção “vagabunda”

“Eu nunca havia sido tratado como compositor, para mim foi uma surpresa incrível”, afirma Nuno sobre a escolha de Mariana Aydar por suas canções, presentes no novo álbum, “Pedaço Duma Asa”. O CD traz composições antigas e recentes de Nuno, todas sob a escolha da cantora.

“A canção é muito ligada aos meus amigos que me mandam, ao Rômulo, ao Clima. E ai tem uma coisa diferente do que eu escrevo, a canção é mais improvisada, eu faço e não tenho tempo, de repente ela some e não tenho tempo de refazer”, diz, explicando que a composição para ele é mais “vagabunda”.

Quem não ouviu o álbum de mariana Aydar, pode conferir o clipe que a cantora lançou em primeira mão pelo UOL, que traz duas músicas, “Samba Triste” e “Saiba Ficar Quieto”, com postas por Clima e Nuno Ramos, respectivamente.

 

Segundo ele, “Saiba Ficar Quieto” foi uma tentativa de se conectar com seu oposto, ficar quieto, e o resultado foi uma “não-canção”. “Acho que eu fiz a canção um pouco assim… pedindo para não fazer a canção, achei que dava uma canção boa”, completa, rindo.

Serviço
“HOUYHNHNMS”, de Nuno Ramos
Quando: Até dia 15 de novembro. Visitação de terça a domingo, das 10h às 18h.
Onde: Estação Pinacoteca – Largo General Osório, 66, Luz
Quanto: O museu tem entrada gratuita até dia 18 de outubro. Depois do período, volta ao preço normal, de R$ 6 (inteira) que dá acesso também à Pinacoteca.
Mais informações:(11) 3335 4990